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Netvasco - 05/10 - 04:45 - Memória: Ipojucan, o 'gigante' vascaíno

A Copa do Mundo de 1950 fez estragos quase irreparáveis nos brios brasileiros, sem dúvida. Após a derrota para o Uruguai no jogo final, não foi só o Maracanã que se calou. Jovens, velhos, crianças, mulheres, homens, donas de casa, padres, bêbados, homossexuais, prostitutas, políticos, jornalistas, portugueses donos de armazéns e italianos donos de bancas de jornais: todos derramaram ao menos uma gota de lágrima. (Meu avô, o senhor Waldemar, disse ter esbarrado com um homem em prantos na porta de casa - às sete horas da manhã do dia seguinte ao jogo)

Dizem que até os uruguaios choraram de tristeza. Enfim, o país inteiro ficou perplexo - não acreditava que aquele time seria capaz de perder. Mas vá lá... era um timaço!. Um jogador parece ter sentido a derrota um pouco mais que os outros, ou, quem sabe, sofrera mais tempo que os demais. No intervalo do jogo Vasco e América, pelo título do Campeonato Carioca de 1950 - logo após a copa - um jogador vascaíno chorava. Ou melhor, se derretia. Não aceitava voltar a campo de jeito algum. Era o fantasma de Obdulio Varela molestando a alma do pobre atleta. Até que entre um soluço e outro, o treinador do time enche o chorão de bofetadas e lhe obriga a ir a campo. O nome do treinador era Flavio Costa. O jogador era o talentoso Ipojucan, que engoliu o choro e voltou ao gramado - para jogar. As bofetadas, segundo Flavio, terapêuticas, deram resultado. Ipojucan deu o passe para Ademir marcar o gol de desempate que levaria a taça para São Januário. Placar final: Vasco 2x1.

Alagoano de Maceió, Ipojucan Lins de Araújo bem que podia ser jogador de basquete, dado a sua altura de 1,90 m, o que não o fazia um jogador desengonçado. Pelo contrário. Tinha muita habilidade e um passe preciso - tanto que era o principal garçom de Ademir Menezes e um dos responsáveis por muitos dos 301 gols marcados pelo "Queixada" com a camisa do Vasco. O "gigante" do meio de campo vascaíno começou jogando no time amador do River (RJ), mas o início da carreira profissional foi no Canto do Rio. Em 1944 foi para São Januário, onde conquistou os cinco campeonatos cariocas da época do Expresso da Vitória - 1945, 47, 49, 50 (com choro e tudo) e 52 -, além do Sul-Americano de 1948. Depois de tantos títulos, saiu do Vasco em 1955 e foi para a Portuguesa, onde ainda seria campeão do Rio-São Paulo em 1955. Encerraria a carreira três anos mais tarde, quando ainda defendia as cores da Lusa.

Mas o craque não era muito diferente dos outros jogadores da sua época no quesito boemia. Gastou quase tudo que ganhou com o futebol em noitadas. Ipojucan morreu em junho de 1978, vítima de tuberculose. Na ocasião de sua morte, morava em um quarto e sala em São Paulo. Em 413 jogos, marcou 225 gols.

Fonte: Site do MUV




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