Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Pedro Emanuel após Vasco 3 x 2 Corinthians
Vasco 3 x 2 Corinthians | Melhores momentos | 32ª rodada | Brasileirão 2026
O Vasco se recuperou da derrota para o São Paulo e retomou o seu viés de subida no Campeonato Brasileiro. Na noite deste sábado, o time vascaíno ganhou do Corinthinans de virada por 3 a 2 em São Januário e abriu cinco pontos para a zona de rebaixamento. Em entrevista coletiva após a partida, o técnico Pedro Emanuel classificou o resultado como vitória ao estilo Vasco:
— Hoje tivemos aquilo que representa a emoção do futebol. Um jogo bastante intenso para as duas equipes na parte emocional. Nós acusamos um bocadinho mais responsabilidade nesse aspecto. O Corinthians sabia que com a vitória do Inter baixou para o Z-4, acreditamos que podíamos pisar também. Sabia que era um jogo importante para nós, três pontos dariam a possibilidade de saltar. Não de ficar confortável, porque esse campeonato vai ser levado até o final, mas uma margem que permitisse respirar um bocadinho melhor.
— Em alguns momentos criamos problemas a nos próprios com algumas perdas de bola. Sabíamos que o principal perigo viria dos ataques à profundidade do Yuri (Alberto), da qualidade do passe do Garro e de lances de bola parada. Nós pusemos um bocadinho a jeito, isso tem a ver com desgaste. São 23 dias sem folga, com viagens e jogos de outra dimensão que também nos desgastam. Senti a equipe desgastada, o que é minha responsabilidade porque achei que a importância do jogo exigia alguma continuidade em termos de dinâmica de alguns jogadores. Mas fiquei muito mais feliz pela capacidade que teve quando precisamos dar nova energia, quem entrou correspondeu. Isso para mim é a felicidade enquanto treinador. Sei que alguns momentos sou mais justo para uns e injusto para outros, tenho essa noção, mas no final isso é uma vitória a Vasco.
Pedro Emanuel também rasgou elogios a Marino, que foi o herói da vitória ao marcar os dois gols da virada nos minutos finais da partida:
— O caso do Marino não é diferente de alguns outros que até jogaram hoje também. Fico muito feliz por ele, porque grande parte da responsabilidade é dele também, por ter acreditado naquilo que passei que pretendia para que jogasse mais vezes. E ele conseguiu, muitas vezes, superar e trazer para a equipe aquilo no que é bom. Foi importante e determinante para a nossa virada. Primeiro porque na primeira parte não estávamos procurando a profundidade, que era aquilo que necessitávamos. E na primeira vez que o Marino entra, tem uma situação que ele pensa bem, mas executa menos bem, e nos deu uma oportunidade, mas não nos deu o gol. Porque acho que na primeira parte criamos situações para fazer mais do que um gol. Tivemos oportunidades para isso. Por isso, o Marino representa aquilo que é o Vasco. Tem, para mim, um elenco bem extenso, são 33 jogadores de campo e cinco goleiros.
— É um grupo largo. Eles sabem que, infelizmente, não podem ir todos para jogo. E todas as semanas tenho que tomar decisões. Por exemplo, essa semana custou-me bastante deixar o Adson de fora, porque não foi um castigo. Foi uma forma como pensei a estratégia para esse jogo. Por isso mesmo, infelizmente deixei ele de fora, mas felizmente os que entraram corresponderam. Não quero ter razão. Quero que os jogadores percebam que todos terão os seus momentos. Respondendo à sua pergunta mais objetivamente, (Marino) preparou-se para isso, e fico contente que tenha dado uma resposta tão boa. Ter dado uma felicidade não apenas para ele, que marcou, mas para nós enquanto equipe, para nossa torcida, que naturalmente estava nervosa, mas que acreditou sempre em nós. Isso é importante, mais do que tudo, acreditar até o fim. E isto é Vasco.
Veja outras respostas da coletiva:
Jejum contra Flamengo
— Nós vínhamos de uma sequência grande com grandes jogos e sem tempo para recuperar. Agora vamos ter um espacinho maior, amanhã vamos ter folga, a primeira vez em 23 ou 24 dias. Também precisamos não só de um descanso físico, mas mental para nos prepararmos. E o que eu prometi para o jogadores é que o nosso objetivo, como equipe técnica, era ter uma equipe competitiva, que disputasse os jogos contra qualquer equipe. Nós olhamos para o Flamengo e sabemos que neste momento está a lutar por objetivos diferentes dos nossos, mas esta é uma competição ímpar, diferente. Onde vai ter dois jogos que temos a possibilidade de bater com os melhores deste campeonato. Sabemos que é um rival da nossa cidade, mas nesse momento, honestamente, temos que ver bem a dimensão dos dois clubes.
— Não em termos de torcida, não em termos de história, mas do momento atual de cada uma delas. Acho que nesse respeito sou bastante racional, tenho a noção do que vamos enfrentar um adversário de muita qualidade, que está lutando para ser campeão. Contudo, vamos tentar nos preparar da melhor maneira para sermos competitivos e disputar, tal qual fizemos com o Boca, que é um gigante da América do Sul e que nós até o último segundo estávamos dentro da final. Com essa forma de pensar, os jogadores sabem que é importante voltarmos a ser enormes outra vez. Que é o que a nossa torcida quer, o que o nosso grupo quer, o que o clube quer. E é dentro disso que trabalhamos e pensamos.
Jogo no Nilton Santos
— Não tenho uma posição sobre isso. Foi me comunicado isso e acho que não tem que passar por mim. Foi uma decisão e temos que nos preparar. É logico que não deixa de ser um campo sintético, que não é normal onde nós trabalhamos diariamente, mas temos um bom exemplo de algumas semanas termos ido ao Nilton Santos e saído com um resultado bastante positivo para nós. É uma questão de adaptação, vamos tentar fazer o nosso melhor. Acho que são decisões administrativas e cabe a nós suportá-las e trabalhar em função delas, nada mais.
Ausência de Jair
— Eu sei que você tem uma preferência pelo Jair, mas não teve nada a ver com isso. Tem a ver única e exclusivamente com uma questão que, para nós, era importante e acabou não surtindo tanto efeito. Já te disse que adoro o Jair, pois é um profissional de primeira linha, além de ser um grande campeão e ter ultrapassado as dificuldades que teve na carreira com as lesões. É um ser humano e alguém que trabalha como profissional, de quem eu gosto, que se entrega e pretende o melhor para a equipe. Logicamente, neste momento, contaria com o fato de tê-lo utilizado mais vezes. Contudo, o decorrer dos jogos não permitiu isso, não por uma razão especial.
— O Jair é um jogador mais técnico, e o Sosa é um jogador mais físico. E hoje, pela importância que tinham o jogo aéreo do Corinthians e as bolas paradas, achamos que não mexer na dinâmica do camisa 5 era importante. Em parte, resultou, porque ganhamos, e, em parte, não, porque não havia necessidade de termos sofrido tanto. Mas isso é o jogo, é um carrossel de emoções. Nós temos que nos adaptar, e o mais importante é a força que a equipe conseguiu injetar com quem entrou. Também contribuiu muito para dar a energia que estava caindo, não só física, mas também anímica, de quem estava lá.
Importância de Lescano
— O Alan (Lescano) não é um camisa 10 para mim, joga em todas as posições do meio. Por isso é que com a saída do Sosa, e até complementando a pergunta do seu colega sobre o Jair: por que não saiu o Sosa e entrou o Jair? Porque não precisava tanto mexer naquela zona, porque o Alan e o Thiago (Mendes) poderiam complementar e nos permitir, estando mais fixos, ter uma coisa que deixamos de ter, e precisávamos urgentemente, a profundidade. A entrada do DVD, do Brenner, mesmo do Marino, sendo mais aberto, e o Puma entrando por fora, onde faz a diferença, nos permitiu ter uma diversidade e criar alguma dificuldade para o Corinthians defender. Foi dentro disso a forma que encontramos, de introduzir o Alan em uma posição mais baixa, mas ao mesmo tempo fazer aquilo que era muito importante no jogo de hoje: passe entre linhas, passe para frente, jogador que temporiza e acelera.
— Agora, comete erros, perde a bola, temos que aceitar isso porque gosto desse risco, no sentindo de nos trazer vantagem. Felizmente surtiu efeito, quem entrou, como disse, injetou energia e qualidade. Isso nos permitiu dar a volta, mas acho que se o resultado fosse diferente seria injusto para nós. O futebol é isso, feito de momentos de sorte. Olhando o segundo gol do Corinthians, vê o que é. Em cinco minutos saímos de vantagem de 1 a 0 para desvantagem de 2 a 1. É preciso ser uma equipe com caráter, grande determinação, com torcida a nos apoiar e empurrar para frente para ter uma virada nos últimos minutos. Isso é acreditar, e não é só trabalho, às vezes tem que ser na transpiração, às vezes a inspiração está faltando e temos que ir na transpiração. E isso não é só colocar homens na frente, é saber como chegar e como finalizar na área do adversário. É por isso que tivemos 20 chutes, o triplo de toques na área do adversário que eles deram na nossa. Isso é mérito dos jogadores e da qualidade que acrescentam a nossa forma de jogar, que é diversa dependendo da forma como está o jogo.
Recepção de Léo Jardim após falha
— Só uma torcida muito grande tem essa capacidade de poder reconhecer que nossos jogadores podem falhar. Os colegas não são diferentes. Quando o Léo entrou no vestiário, depois da eliminação, foi abraçado por todos. Porque estamos juntos. Ganhamos juntos e perdemos juntos. Não é uma derrota de um só jogador, é coletiva. E já digo aqui que não castiguei o Adson depois de ter sido titular. Realmente não teve um bom jogo, mas a preparação e as necessidades para o Corinthians são diferentes das para o Boca.
— E por isso digo aqui publicamente: o Adson é um excelente profissional, mas temos que tomar decisões. Nesse jogo, talvez não seria tão importante como aqueles que tinha como primeira opção. Não foi castigo ou que estou chateado com ele. Nem por algo que ele disse. Foi uma decisão minha, com tristeza, porque é um excelente profissional, e para quinta é quase certeza que estará dentro novamente.
Mudanças que surtem efeito
— Sabe que a principal função que peço aos meus auxiliares é que, em momentos de crise, tenhamos intervenções que possam ajudar a equipe. Nem sempre as fazemos e, por vezes, não resultam. Mas acho que, hoje, a forma como estávamos a ver o jogo obrigava-nos a ter mais gente na última linha do Corinthians, porque o adversário não elaborou muito o seu jogo. Porém, não estávamos a necessitar de tanta gente na parte mais recuada. A partir do momento em que estávamos a perder, precisávamos mexer, mas com algum critério para não desequilibrar a equipe e provocar um pior resultado, permitindo situações de contra-ataque que pudessem nos matar.
— Então, puxar o adversário para trás partiu de um plano intermédio, que foi forçar o Corinthians a baixar, mas atacando a profundidade, por fora e por dentro. As entradas de David e Brenner têm muito a ver com isso. Sentimos logo três ou quatro movimentos em profundidade, com Lescano e Thiago procurando o passe e obrigando o adversário a sentir que o conforto que tinha iríamos desmontar. E surtiu efeito. Em um momento, o David teve uma oportunidade, e o (Hugo) Souza fez uma boa defesa. Poderíamos ter empatado o jogo mais cedo. Mas, acima de tudo, destaco a disponibilidade que os jogadores tiveram para interpretar o que pedi e, sobretudo, acreditar que poderiam ser diferenciados.
— Mesmo o Nuno, que não está em um momento muito bom da temporada, retomou novamente aquilo que é a importância dele com a bola, de se associar com os colegas, em um momento que era fundamental para nós. Esse acho que é o jogo da temporada para nós, que poderia ter se tornado um pesadelo, mas que felizmente foi uma noite de virada fantástica. Porque esses jogadores acreditaram sempre e pela nossa torcida, que sempre nos apoiou e nunca nos abandonou. Por isso que, nos primeiros jogos, disse que estava apaixonado, porque isso é futebol. É no momento da dificuldade que sentimos quem nos apoia, quem não nos deixa cair. E hoje era fundamental para essa torcida aparecer. Por isso, queremos dedicar essa vitória a eles, mas também os queremos juntos na quinta-feira, para enfrentarmos outro adversário de peso.
Fonte: ge