Vasco 3 x 0 Barracas Central em São Januário contou com poucos torcedores e vaias para o time
O Vasco registrou, nesta quarta-feira, o pior público em São Januário desde 2022, com apenas 3.524 torcedores presentes para a vitória por 3 a 0 sobre Barracas Central, pela última rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. A partida contou com um protesto de "público zero", incentivado pelas torcidas organizadas do clube, e foi um reflexo do desgaste entre torcida e time do primeiro ao último minuto.
Quem esteve presente no estádio presenciou um clima de protesto antes mesmo da bola rolar. Com a arquibancada vazia, era possível ouvir nitidamente os xingamentos proferidos aos jogadores desde a subida do time ao gramado. No time titular, Tchê Tchê foi alvo de algumas vaias nos primeiros toques na bola.
O desempenho inicial na partida não colaborou com a harmonia. O Vasco assumiu o controle da bola e tentou pressionar no campo de ataque, mas abusava dos erros. Na arquibancada, a impaciência do torcedor, acumulada pelas três derrotas consecutivas na temporada e o time à beira do Z-4 no Brasileirão, era nítida nos xingamentos aos jogadores.
No setor visitante, cerca de 70 torcedores do Barracas Central faziam uma bonita festa. Era possível escutá-los em muitos momentos da primeira etapa, mesmo com o time argentino já eliminado antes mesmo do confronto desta quarta-feira. O clima vascaíno melhorou com os gols de Adson e a expulsão de Insúa, ainda no primeiro tempo. A torcida do Vasco ensaiou um apoio, e o time desceu para o vestiário entre aplausos e vaias da arquibancada.
Tchê Tchê participou da jogada do segundo gol marcado por Adson, com cruzamento da ponta direita que gerou rebote do goleiro nos pés do atacante. O jogador atuou improvisado na lateral direita e fez uma boa exibição. Parte dos torcedores presentes ensaiou um canto irônico ao jogador, um dos mais desgastados com a torcida em 2026, depois do gol e no início da segunda etapa:
"Ão, ão, ão, o Tchê Tchê é Seleção"
Ele foi substituído aos 11 minutos sob algumas vaias e xingamentos de parte do estádio.
Alguns minutos depois, o momento de maior festa dos vascaínos aconteceu com a notícia do gol do Audax Italiano, que havia aberto o placar contra o Olimpia, no Paraguai. O resultado parcial recolocava o Vasco na liderança do Grupo G e garantia a vaga direta às oitavas de final. A arquibancada cantou alto e mostrou que a Copa Sul-Americana tinha seu valor para o torcedor - apesar do planejamento do clube ter escanteado por completo a competição desde a primeira rodada.
Brenner também foi personagem nas observações de um jogo atípico em São Januário. Ao ser chamado por Renato Gaúcho para entrar em campo, o jogador ouviu o incômodo da arquibancada com a substituição, e novos xingamentos ressoaram. Ele vive meses de uma relação ainda distante com a torcida, marcada por muitos gols perdidos e vaias desde os primeiros jogos, ainda sob comando de Fernando Diniz.
O atacante teve a chance de tirar parte do peso das costas nesta quarta-feira. Com o placar já resolvido com 3 a 0 para o Vasco, Jappert colocou a mão na bola dentro da área, e o árbitro assinalou pênalti. Em peso, a torcida gritou pelo nome de Brenner para a cobrança, em um símbolo trégua para recuperar a confiança do atacante que chegou com status de titular, mas que amarga a reserva e não marca há um mês e meio.
Brenner bateu fraco e desperdiçou o pênalti - o segundo perdido com a camisa do Vasco. Na sequência, ouviu novamente muitos xingamentos da arquibancada, seguido de alguns tímidos gritos de apoio com seu nome.
Renato Gaúcho comenta fase de atacante do Vasco: "A gente precisa recuperar o Brenner"
Depois de gritos de "olé" nos minutos finais, o time terminou o jogo novamente com vaias na descida para o vestiário.
O Vasco reencontra São Januário no próximo domingo para o último compromisso antes da pausa para a Copa do Mundo, contra o Atlético-MG, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Dessa vez, os ingressos da arquibancada já estão esgotados para um confronto decisivo para o time de Renato Gaúcho, tanto para recuperar a confiança no torneio nacional quanto para selar a paz com o seu torcedor.
Fonte: ge