Marcos Lamacchia busca alinhamento com agência que cuida do fair play financeiro enquanto negocia compra da SAF do Vasco
Terça-feira, 24/03/2026 - 20:06
Representantes do grupo de Marcos Lamacchia fizeram contatos com membros da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para apresentação prévia da estrutura da empresa que pretendem formar na compra da SAF do Vasco. O objetivo é alinhar previamente o negócio antes do avanço decisivo e, claro, fazer eventuais ajustes ao regulamento de fair play financeiro.

A intenção é que esse desenho esteja em conformidade com o SSF (Sistema de Sustentabilidade Financeira) antes que a compra da SAF seja concluída. Em entrevista na segunda-feira na CBF, o presidente do Vasco, Pedrinho, disse que espera realizar a negociação ainda em 2026.

O grupo é liderado pelo empresário Marcos Lamacchia, filho de José Carlos Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Ainda não houve reunião formal, mas está previsto um encontro em breve, conforme andamento dos negócios.



As regras preveem possíveis restrições a esse tipo de negócio pela proximidade de Marcos e de Leila. O artigo 86 do SSF veda que "qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube".

A influência significativa é definida como "a capacidade de dirigir políticas financeiras ou operacionais, exercer veto relevante, nomear administradores-chave ou deter, isolada ou conjuntamente, mais de 10% dos direitos de voto com acordos de voto ou vetos qualificados, bem como contratos de financiamento que imponham covenants com poder decisório".



São consideradas "para fins de apuração do controle ou influência" as somas de participações, direitos de voto ou poderes de veto da pessoa física (ou dos controladores finais da pessoa jurídica) àquelas detidas por seu cônjuge, companheiro(a) ou parentes até o segundo grau (pais, filhos, irmãos).

A aproximação do grupo foi considerada positiva por membros da ANRESF, que a entenderam como disposição de encontrar uma solução para o caso antes da efetivação da venda.

É a agência quem irá analisar uma possível mudança societária no Vasco e se ela se enquadra nas regras do fair play financeiro – alterações no quadro devem ser informadas à ANRESF em até 30 dias.

Uma opção para que a estrutura da empresa seja aprovada é o uso de um "blind trust", um arranjo em que um fundo controla os ativos sem que o proprietário tenha conhecimento ou influência sobre ele. Essa formatação teria um período de tempo definido, até que Leila deixe a presidência do Palmeiras – ela está em seu último mandato, que termina em dezembro de 2027.

Ao ge, no começo deste mês, o presidente da ANRESF, Caio Resende, afirmou que a agência fará uma "análise rigorosa" caso a venda seja concluída.

— Uma pessoa não pode ser diretora esportiva de dois clubes ao mesmo tempo, isso é bem objetivo. Isso cria série de implicações éticas que podem comprometer a integridade da competição. Mas outros aspectos, que vão envolver a estrutura societária, quem tem 10%, quem tem 20%, quem de fato opina, podem exigir análise mais elaborada – afirmou.

– O que a gente percebe lá fora é que, como a estrutura dos multiclubes está se tornando muito complexa, às vezes é difícil analisar sob o ponto de vista societário: "Ah, o fundo tal é detentor de participação em outro fundo que detém um clube". Mas ele tem poder decisório? Ele tem capacidade de comprometer? Essas situações podem levar a uma análise mais profunda da agência, sim.

Fonte: ge