Basquete: Vascaíno campeão do mundo pelo Brasil, Paulista lamenta morte de Wlamir Marques, de quem foi reserva na Seleção
Quarta-feira, 19/03/2025 - 00:48
Nesta terça-feira o basquete brasileiro perdeu Wlamir Marques, grande ídolo da modalidade. O "diabo loiro" tinha 87 anos e estava internado no Hospital Santa Magiore, em São Paulo. A causa da morte ainda foi divulgada. Colega de equipe de Wlamir, Benedicto Cicero Tortelli, o Paulista, relembrou a conexão com o camisa 5. Além do ex-jogador, clubes e entidades esportivas também lamentaram a morte do astro.

"Eu perdi o cara de quem fui reserva durante sete anos. Estive na seleção por sete anos, nos sete fui reserva, com todo orgulho."
— Paulista



Paulista ainda recordou que a briga pela posição de titular na seleção brasileira era acirrada, mas Wlamir nunca deu chances para seu substituto.

- O Kanela (técnico daquela seleção) costuma dizer para Wlamir: Se você não abrir o olho, ele, que era eu, vai tomar seu lugar. Mas isso jamais aconteceu. Ele sempre jogou.



Wlamir morreu pouco mais de três meses depois que outra lenda do basquete brasileiro, Amaury Pasos, de quem era amigo. Os dois fizeram parte da histórica geração bicampeã mundial de basquete em 1959 e 1963 e medalhista de bronze, nas Olimpíadas de Roma 1960 e Tóquio 1964.

Bicampeão mundial de basquete, Wlamir recebe as justas homenagens


COB lamenta a morte de Wlamir Marques

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) também se despediu de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro. A entidade publicou uma homenagem nas redes sociais, lembrando o legado de Wlamir e a presença do ex-jogador no Hall da Fama do COB. Leia a nota na íntegra:

"Hoje nos despedimos de um dos maiores ídolos do basquete mundial, Wlamir Marques. Bicampeão mundial, medalhista olímpico nos Jogos de Roma 1960 e Tóquio 1964, e dono da camisa 5 da seleção, ele fez história e ajudou a colocar o Brasil entre as grandes potências do esporte.

Em 2021, foi homenageado e entrou para a seleta lista de atletas eternizados no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil.

Seu legado será eterno, e sua paixão pelo basquete continuará inspirando gerações. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e a toda a comunidade do basquete.

Obrigado por tudo, Wlamir!"

CBB também homenageia astro

A Confederação Brasileira de Basquete também lamentou a morte de Wlamir Marques nesta terça-feira. Através das redes sociais, a CBB lembrou os feitos do ídolo e agradeceu por tudo o que Wlamir fez pelo basquete brasileiro.

- Wlamir foi um dos maiores de todos os tempos a quicar uma bola laranja. Um gênio. Incrível dentro de quadra. Flutuava. Nos ajudou a tornar o Brasil uma potência no basquete. Hall da Fama. Um herói. E fora de quadra, era de uma simplicidade curiosa. Um humor sagaz. E também um gênio. Amigo e crítico quando preciso. Já faz uma falta imensa ao nosso esporte. Meus pêsames à família. Vai-se o homem, fica a lenda - disse Marcelo Sousa, presidente da CBB.

Além dos títulos mundiais e da medalha olímpica, a confederação também lembrou a homenagem a Wlamir Marques no Hall da Fama do basquete. Confira a nota da CBB na íntegra:

"O Disco Voador decolou pela última vez, com destino à eternidade. É com imenso pesar e dor que a Confederação Brasileira de Basketball se despede de Wlamir Marques, 87 anos, um dos maiores ícones da história do basquete mundial, falecido nesta terça-feira, 18 de março de 2025, em São Paulo, após um período internado na UTI de um hospital particular na capital.

Natural de São Vicente, em São Paulo, Wlamir deixa um legado eterno, sendo lembrado como um dos maiores atletas a representar o Brasil no esporte mundial.

Com uma carreira brilhante que se estendeu pelas décadas de 1950, 1960 e 1970, Wlamir foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do basquete brasileiro em torneios internacionais.

Sua trajetória foi marcada por atuações memoráveis que o levaram a conquistar títulos importantes pela Seleção Brasileira.

Entre suas maiores conquistas estão o Bicampeonato Mundial, dois vice-campeonatos Mundiais, duas Medalhas Olímpicas – uma de bronze nos Jogos de Roma (1960) e outra de bronze nos Jogos de Tóquio (1964) –, além de títulos nos campeonatos Sul-Americanos e Pan-Americanos.

Além de ser membro do Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro e do Hall da Fama da FIBA, Wlamir recebeu o Troféu Heims de Melhor Atleta da América do Sul em 1961 e a Medalha do Mérito Esportivo, duas importantes honrarias que refletem sua enorme importância para o esporte nacional e internacional.

Wlamir Marques, o Diabo Loiro ou o Disco Voador, será eternamente lembrado não apenas por suas vitórias e medalhas, mas também pela sua ética, garra e espírito de equipe. Sua dedicação ao esporte inspirou gerações de atletas e ficará gravada na memória de todos os que tiveram o privilégio de testemunhar sua carreira.

Neste momento de profunda tristeza, nossos sentimentos estão com seus familiares, amigos e com todos aqueles que, de alguma forma, foram tocados pela sua história.

Wlamir Marques deixa uma lacuna no esporte brasileiro, mas seu nome permanecerá imortal na história do basquete.

Descanse em paz, Wlamir. Seu legado viverá para sempre. Eterno Diabo Loiro!"

Outras ligas e entidades também se manifestaram nas redes sociais e lembraram a importância de Wlamir Marques. Principais competições brasileiras, os perfis oficiais do Novo Basquete Brasil (NBB) e da Liga de Basquete Feminino (LBF) prestaram homenagens:

- É com imensa dor que a LNB informa o falecimento de Wlamir Marques, aos 87 anos. Conhecido como 'Diabo Loiro', Wlamir foi um dos maiores jogadores de basquete da história do Brasil. Medalha de bronze nas Olimpíadas de Roma, em 1960, e Tóquio, em 1964, e peça fundamental nas campanhas nas conquistas do Campeonato Mundial em 1959, no Chile, e em 1963, no Brasil. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e e toda a comunidade do basquete. Uma lenda para a eternidade! - escreveu o NBB.

- O basquete está de luto. Wlamir Marques, um dos maiores jogadores da história, bicampeão mundial e duas vezes medalhista olímpico entre as décadas de 1950 e 1960, que também brilhou com a camisa do Corinthians e hoje dá nome ao ginásio poliesportivo do clube, se foi nesta terça-feira (18) aos 87 anos. A Liga de Basquete Feminino se solidariza ao clube no qual Wlamir fez história, à Confederação Brasileira de Basketball e aos familiares e amigos do lendário Diabo Loiro - escreveu a LBF, que fará um minuto de silêncio na partida desta terça-feira.

Fonte: ge